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sexta-feira, 17 de março de 2017

Estresse tóxico precoce

Estresse tóxico precoce


Via de regra, o estresse pode ser definido como um conjunto de respostas orgânicas do indivíduo para adaptação a novas situações e experiências de vida. Contudo, essas reações orgânicas e psíquicas podem provocar certo desequilíbrio em razão de reiteração e intensidade desmedidas.

No caso específico das crianças, o tratamento negligente e irresponsável destes estímulos pode causar certas alterações negativas no desenvolvimento neurológico, fisiológico e social do petiz. Traumas e crises que não são devidamente atendidas impactam sobremaneira no sistema nervoso, refletindo na diminuição das sinapses neurológicas cerebrais e no aprendizado. Trata-se, segundo estudo da Universidade de Harvard, do chamado “estresse tóxico precoce”.

Nesse sentido, colhe-se o seguinte ensinamento:

“O estresse é uma condição na qual o indivíduo vivencia desafios ao bem-estar físico ou emocional que superam sua capacidade de enfrentamento. Embora alguma experiência com tensões gerenciáveis seja importante para o desenvolvimento saudável, o estresse prolongado, ininterrupto e opressivo pode ter efeitos tóxicos. Frequentemente, esse tipo de estresse tóxico está associado a abuso e negligência na infância.
Durante seu rápido desenvolvimento ao longo dos primeiros anos de vida, o cérebro é particularmente sensível a influências ambientais. O estresse tóxico precoce (ETP) pode provocar hipersensibilidade persistente aos fatores estressantes, e sensibilização dos circuitos neurais e outros sistemas de neurotransmissores que processam informações de ameaças. Essas sequelas neurobiológicas do ETP podem favorecer o desenvolvimento de problemas comportamentais e emocionais de curto e longo prazos, que podem persistir na vida adulta, aumentando o risco de psicopatologias e distúrbios de saúde física.” (Estresse e desenvolvimento inicial do cérebro. Megan R. Gunnar, PhD, Adriana Herrera, MA, Camelia E. Hostinar, BS University of Minnesota, EUA).

A importância deste tema na seara trabalhista está intrinsecamente ligado ao debate sobre o trabalho infantil. Lidar com fatores estressores advindos do trabalho, antes das idades recomendadas nas normativas nacionais e internacionais a respeito, resulta em nítida violência ao desenvolvimento saudável da criança. O trabalho infantil é uma mazela que implica neste estresse tóxico, devendo ser extirpado pela sociedade.

Por conta disso, a doutrina da proteção integral instituiu um complexo conjunto de direitos e uma ampla garantia de proteção à criança e ao adolescente, conferindo prioridade absoluta na efetivação de uma cidadania plena e na implantação de políticas de combate à exploração infantil.

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