Juízes roxos (soneto)
O soneto em questão propõe uma superação da dicotomia ideológica que, embora figurativa, tem pautado o debate contemporâneo sobre a hermenêutica juslaboral brasileira. Ao contrapor a vertente azul, associada ao legalismo estrito e à preservação da livre iniciativa, à vertente vermelha, vinculada ao ativismo social e à proteção do trabalhador, o texto não busca a anulação dessas correntes, mas a sua superação dialética. O objetivo é a construção de um magistrado que compreenda a Justiça do Trabalho não como um palco de disputas de matizes ideológicas, mas como um órgão de pacificação social que atua sob a égide da equidistância ética.
A escolha da cor roxa no título é simbólica e técnica, representando o resultado direto da mescla entre o azul e o vermelho. Essa fusão cromática traduz visualmente a união equilibrada dessas duas forças distintas, sugerindo que a verdadeira justiça emerge não da polarização, mas da integração ponderada das visões que compõem o espectro jurídico laboral.
A síntese no roxo representa, juridicamente, a aplicação do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade na resolução de conflitos coletivos e individuais. Ao defender um caminho equidistante, o soneto reforça que a proteção do polo vulnerável da relação de emprego não é incompatível com a segurança jurídica exigida pela livre iniciativa. Pelo contrário, sustenta-se que a legitimidade institucional da Justiça do Trabalho reside, justamente, na capacidade de oferecer uma prestação jurisdicional previsível e equilibrada, que reconheça a função social do trabalho sem desconsiderar a realidade econômica das organizações.
Por fim, o poema alinha-se ao entendimento de que a divisão interna de magistrados em rótulos ideológicos, frequentemente explorada por interesses mercadológicos, compromete a higidez da instituição e a confiança pública. A confiança mencionada no verso final atua como o alicerce necessário para a pacificação das relações laborais. Assim, a busca por uma magistratura roxa traduz o anseio pela maturidade institucional, na qual a aplicação do Direito prescinde de dogmatismos, focando, primordialmente, na estabilidade, na justiça social e no respeito aos marcos legais vigentes.
Eis a íntegra do soneto:
Juízes roxos
O azul da lei, que a empresa quer guardada,
Na fria norma o foco a sustentar,
E o vermelho, em chama declarada,
Que o elo fraco busca proteger e amparar.
Se o muro os separa em crença ideológica,
Do embate nasce o estigma e a desunião;
Perde-se a luz na visão mais lógica,
Fere-se a paz desta nobre missão.
Que o roxo surja da fusão consciente,
Caminho equidistante e bem traçado,
Onde o equilíbrio se faz, finalmente.
Justiça firme, em justo resultado,
Onde a confiança é o marco presente:
Trabalho e capital, em fim, respeitado.
(Por Wagson Lindolfo José Filho)
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Nota de autoria
Texto de autoria de Wagson Lindolfo José Filho.









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