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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Whitewashing


Whitewashing

Recentemente, a atriz Scarlett Johansson, uma das mais famosas e aclamadas no contexto da produção cinematográfica de Hollywood, foi alvo de uma polêmica por conta de sua escalação para protagonizar o longa-metragem “Ghost in the Shell” (A Vigilante do Amanhã).

Ghost in the Shell” é uma produção de ação sobre um dos animes japoneses de maior sucesso de todos os tempos. Toda a trama é ambientada no Japão e os principais membros do elenco são japoneses. A crítica se deu em razão da escolha de uma atriz branca para interpretar uma conhecida personagem oriental (Motoko Kusanagi).

Ativistas irritados com a escassez de papéis para atores do leste asiático em Hollywood lançaram uma petição requerendo que Scarlett Johansson fosse retirada da próxima adaptação da DreamWorks, já contando atualmente com milhares de assinaturas. Em defesa, a atriz deu declarações evasivas no sentido de que a heroína é um ser mais robótico do que humano, não havendo uma identidade étnica definida (negra, branca ou oriental).

Em uma primeira análise, a escolha da atriz parece se referir a uma questão meramente mercadológica, uma vez que a história oriental teria dificuldades para atrair um grande público aos cinemas e superar os custos da superprodução. Assim, colocar uma atriz, com experiência e prestígio, do porte de Scarlet Johansson, poderia ajudar neste quesito. A utilização deste expediente também pode ser observado em muitos outros filmes americanos, como, por exemplo, Doutor Estranho (Doctor Strange) e Jogos Vorazes (The Hunger Games).

Entretanto, a mudança do perfil étnico de atores para a interpretação de personagens sabidamente de outras descendências, longe de se tratar apenas de uma estratégia de marketing, espelha uma predileção discriminatória por parte da indústria do cinema, em autêntica “racial insensitivity” (insensibilidade racial). Portanto, “whitewashing” pode ser conceituado como uma política abusiva e segregacionista de “embranquecimento” na produção de artes visuais, enquadrando-se em uma vertente de discriminação indireta (disparate impact).

Ocorre que tal estratégia, além de desrespeitar uma certa representatividade e diversidade sociais, causa uma fuga desarrazoada do enredo original. Um personagem, com todas as suas características visuais (cor, traços e trejeitos), leva consigo um histórico (background) de aspirações e desilusões percebidos por meio de sua imagem real, tudo com o objetivo de aproximar o expectador da saga a ser contada. Nas palavras de Maxwell Maltz: “A auto-imagem é a essência da personalidade e do comportamento humano. Mude a auto-imagem, e ambos serão transformados”.
                              

CABRAL, Bruno Fontenele. Aplicação das teorias do "disparate treatment" e do "adverse impact" nas relações de emprego. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 15, n. 2578, 23 jul. 2010. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/17034>. Acesso em: 13 jan. 2019.

https://www.theguardian.com/film/2017/aug/29/the-idea-that-its-good-business-is-a-myth-why-hollywood-whitewashing-has-become-toxic


https://cinepop.com.br/em-nova-entrevista-scarlett-johansson-fala-sobre-a-polemica-do-whitewashing-em-ghost-in-the-shell-137934

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