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sexta-feira, 14 de junho de 2019

Entre irmãos


Entre irmãos

Mais um dia comum na rotina de um juiz do trabalho, se não fosse, entretanto, uma situação bastante inusitada - um litígio entre irmãos! Tratava-se de uma reclamação trabalhista em que se pretendia o reconhecimento de vínculo empregatício do suposto empregado com a sua própria irmã, que tinha uma pequena barraca de patéis numa feira de determinada cidade do interior.

Logo após alguns esclarecimentos em audiência, percebi que a “treta”, na verdade, se deu por conta de um desentendimento entre o irmão e o cunhado! Típico caso de família! Ahhh, se o pessoal soubesse que, não raras vezes, somos pacificadores dos mais diversos conflitos subjacentes nos quais a matéria trabalhista é apenas pano de fundo para justificar uma lide psicológica, talvez houvesse uma melhor valorização desta jurisdição especial.

Para tentar apaziguar os ânimos e formular a pactuação de um acordo, falei da importância da família no contexto social e que ter um irmão é como contar com a ajuda de um verdadeiro guardião nesse mundo solitário. A vida já é difícil por si só e brigas familiares somente a tornam ainda mais amarga.

Apesar de estar inspirado naquele dia, de nada adiantou. O reclamante aparentava muito irresignado. Lembrava muito uma criança que foi contrariada e não queria fazer as pazes. Foi quando as nobres advogadas que acompanhavam as partes tomaram as rédias daquela situação e conduziram o desfecho da melhor forma possível.

Em dado momento, fiquei como expectador daquela tratativa de acordo capitaneada pelas causídicas. Elas conversaram isoladamente com cada parte, expuseram todos os prejuízos da perpetuação do processo e atuaram como verdadeiras psicólogas. Nosso trabalho realmente fica mais fácil com a atuação de profissionais engajados e cientes de seu papel de pacificadores sociais. Todos somos instrumentos valiosos do Estado Democrático e Social de Direito.

Passados alguns minutos, disse de forma bastante atrevida:

- Então, vamos celebrar finalmente este acordo!? Que tal vocês se abraçarem!?

O autor, em um primeiro momento, se recusou a estender a mão para sua irmã. Porém, levada por um ímpeto de carinho, esta se levantou da cadeira e caminhou até a direção dele.

Momentos de tensão! Que rufem os tambores!

Apesar do acordo, ele estava ainda bastante magoado com aquela circunstância e não arredou o pé de seu lugar, deixando a sua parenta no vazio. Foi quando a irmã pegou-o pela camisa e deu um forte abraço de perdão. A partir daí, caímos todos na choradeira!

É claro que não podia perder esta oportunidade! Tirei uma foto, com a devida autorização, que guardo até hoje em meus arquivos pessoais, para eternizar aquele instante maravilhoso!

Foi um dia inesquecível!

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