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sexta-feira, 8 de março de 2019

Drama tatuado


Drama tatuado

Uma vez ouvi dizer, não me recordo do autor da frase, que tatuagens eram sentimentos estampados além da pele.

Apesar de não possuir nenhuma tatuagem, sempre respeitei quem expunha suas paixões por meio destes símbolos especiais no próprio corpo. Cada qual deve ter orgulho de sua aparência e orná-la como bem entender.

Em dado dia ensolarado, fui designado para atuar em uma audiência de instrução específica, em razão da suspeição de uma colega juíza. De antemão, já percebi que se tratava de um caso muito complexo (transtorno depressivo decorrente do labor) e que necessitaria de uma atenção redobrada.

Ao começar os trabalhos, já no depoimento pessoal, fiz as perguntas de praxe para a reclamante. Ela respondeu os questionamentos, com certo olhar de desilusão. Olhos avermelhados, de quem tinha insônia, e com as mãos bastante inquietas.

Um fato me chamou a atenção. Notei que ela tinha tatuagens nos dois antebraços. Percorriam seus membros superiores como um grande jardim de flores da primavera. Fiquei curioso, sem titubear, a indaguei:

- Bonitas tatuagens! Tem algum significado em especial?

Ela, bastante comovida, recolheu os braços e falou cabisbaixa:

- É que as fiz para esconder as minhas mutilações e tentativas de suicídio!

Já não dava mais para me esconder atrás de minha toga e não me comover com aquela situação dramática. Os julgados devem ser imparciais, mas sempre refletidos na dignidade e na fraternidade humanas.

Mais um dia de audiências com fortes emoções!

Wagson Filho.

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