Debates e estudo de temas relacionados a Direito e Processo do Trabalho. Livros, e-books e materiais jurídicos. Pesquisas e críticas acadêmicas. Democratização do ensino. Concursos públicos. Finalidade altruística e vocacional.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Prestar primeiro concursos para a carreira de Analista Judiciário ou estudar diretamente para o cargo de Juiz do Trabalho?

Prestar primeiro concursos para a carreira de Analista Judiciário ou estudar diretamente para o cargo de Juiz do Trabalho?


Dando continuidade ao nosso intento de responder as dúvidas mais comuns de nossos seguidores, apresento, nessa semana, um questionamento bastante corriqueiro que alguns concursandos me enviam por e-mail. Trata-se da propalada escolha ou compatibilização dos estudos para as carreiras de Analista Judiciário e Juiz do Trabalho.

Olá!! Eu gostaria de tirar uma dúvida com o Sr. duvidas na verdades que se baseiam em inseguranças e medos... Terminei o curso de Direito e passei na OAB, mas ainda não peguei a vermelhinha por ainda não ter colado grau... Eu sempre sonhei com a magistratura do trabalho, mas eu pensei em dar um primeiro passo no concurso de analista do TRT e assim contaria os 3 anos de prática jurídicas necessárias, mas vejo que esse concurso é muito concorrido e chama-se poucos aprovados o que me faria, talvez, levar anos para conseguir. O Sr. como Juiz do Trabalho, que já percorreu muitos caminhos na área de concursos, acha que compensa o empenho para o concurso de analista do TRT? Ou seria bem mais inteligente já começar os estudos para magistratura? Desde já agradeço e, parabéns pela linda carreira!!!

Olá! É uma pegunta bastante interessante!

Antes de passar para juiz do trabalho, fui servidor (técnico judiciário) do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região por pouco mais de 8 anos. Também fui aprovado para o cargo de analista processual do Ministério Público da União, porém, considerando o local no qual já estava inserido (minha terra natal) e a diferença remuneratória, desisti logo do intento de aprovação para os concursos de analista judiciário.

Fui nomeado poucos meses depois que completei 22 anos de idade, após três anos de validade do concurso que havia prestado, já no final do meu 3° ano do Curso de Direito na Universidade Federal de Goiás. Antes disso, era estagiário no mesmo Tribunal e tinha prática de redação em minutas de julgamento (voto). Em menos de 1 ano, antes mesmo de ter visto Direito e Processo do Trabalho na Faculdade, tive a oportunidade de exercer a função de assistente de Desembargador, função esta que trabalhei até obter aprovação para juiz do trabalho.

Costumo falar que o meu ex-cargo de técnico judiciário era o meu "xodó". Com ele, certamente, pude amadurecer como profissional, adquirir a prática jurídica necessária e custear a minha preparação para o cargo de juiz do trabalho, que era o meu objetivo desde o primeiro ano de Faculdade. Além disso, este cargo (técnico judiciário) me proporcionou certa tranquilidade e estabilidade financeira para as realizações de minha vida pessoal.

Retornando ao seu questionamento, acredito que a escolha do caminho a ser trilhado deve perpassar, antes de tudo, por uma reflexão pessoal e uma avaliação pormenorizada dos riscos pessoais das escolhas.

Apesar de almejar o cargo de juiz do trabalho desde o começo do meu Curso de Direito, não me arrependo pela prática que adquiri como servidor. Isso, sem sombra de dúvidas, me auxilia constantemente na dinâmica dos serviços internos da Secretaria. O juiz, antes de solucionador de litígios, é um gestor de pessoas.

Particularmente, acredito que não há problemas em compatibilizar os estudos para os cargos de analista judiciário e de juiz do trabalho, um não exclui o outro, desde que você tenha uma metodologia de estudos muito bem definida para abranger o cronograma de ambas as carreiras. Com o tempo, você perceberá que as provas objetivas dos dois cargos, com as ressalvas pertinentes, não distanciam muito do conteúdo cobrado um do outro, possuindo vários pontos de intersecção. O que é bastante diferente é a matéria cobrada nas demais fases dos concursos, mais específica e profunda para a judicatura trabalhista.

O interessante, caso você queira adquirir uma experiência prévia no judiciário, seria estudar para o cargo maior e fazer as devidas adequações, logicamente utilizando-se da chamada "periodização dos estudos", para abranger também o estudo para o cargo menor. Conheço vários colegas que estudavam para as duas carreiras, de forma concomitante. Alguns, obtendo aprovação para os dois cargos. Outros, em apenas um deles.

Portanto, por experiência própria, recomendo o estudo para o cargo de analista em primeiro lugar, acrescentando, aos poucos e gradualmente, matérias específicas cobradas no concurso de juiz do trabalho. Como diz certa mensagem espírita: “Toda ascensão exige esforço, adaptação e sacrifício. Toda queda resulta em prejuízo, desencanto e recomeço. Trabalha-te interiormente, vencendo limite e obstáculo, não considerando os terrenos vencidos, porém, fitando as paisagens ainda a percorrer” (Joanna de Ângelis).

Entretanto, se você tiver uma fonte de custeio para os seus estudos, possuir uma maneira de adquirir a prática jurídica requerida para o concurso, tiver consciência do tempo que pode levar para obter êxito na aprovação para a magistratura trabalhista, quiser realizar o mais breve possível o sonho de ser juíza e souber quais são os riscos advindos da escolha de um concurso mais exigente, talvez seja interessante estudar especificamente para a magistratura. Um estudo específico e aprofundado pode ser um diferencial nestas provas. Existem excelentes juízes que não foram servidores. A vocação para a profissão de magistrado é um exercício diário e dependerá sobremaneira do senso de responsabilidade social de cada um, independentemente da experiência prévia conquistada.


Enfim, não sei se deixei mais dúvidas do que esclarecimentos, mas confie em você. Creio que o mais difícil você já vez: decidiu iniciar os estudos e prestar um dos concursos mais concorridos do país. Isso já é um grande passo inicial. Não desista, por mais complicado que possa parecer. Você com certeza pode ser juíza do trabalho, basta estudar com afinco, persistir, não se abalar com eventuais reprovações e aprender com seus erros. Não tem uma fórmula exata, mas a perseverança é alma destes concursos.

Reações:

4 comentários:

  1. Dr., obrigada pelos esclarecimentos. Exercer uma função pública é missão de muita responsabilidade e comprometimento, tanto na seara material quanto na espiritual. Sigo na luta pelo cargo de AJAJ, na certeza de que chegarei na Magis do Trabalho ( meu objetivo final ). Mais uma vez, obrigada!

    ResponderExcluir
  2. Dr. sou técnica judiciária do TRT16 e acabo de me tornar chefe de audiência. Será que 3 anos como chefe de audiência contam como prática jurídica?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com certeza. Acredito que todas as atividades exercidas dentro de uma vara, ainda mais em tempos de PJE, envolva prática forense apta a caracterizar atividade jurídica, nos termos da Resolução 75 de 2009 do CNJ. Att.

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...